I think this following editorial is more in line with my observations about the Uruguay game.
Renato Mauricio Prado
rprado@oglobo.com.br
Correr é obrigação!
Brasil e Uruguai empatam no Estádio Centenário e muita gente se apressa a festejar a exibição brasileira. Tenho a leve impressão de que vi um outro jogo. No que assisti, apesar de mostrar mais disposição (o que, convenhamos, é o mínimo que se pode exigir de quem veste a camisa amarela), a seleção entrou mal escalada e só chegou ao empate graças a um gol irregular.
A surpreendente opção por Ricardo Oliveira mostrou-se absolutamente ineficaz. O Brasil só melhorou um pouco, em termos ofensivos, depois da entrada de Robinho, quando o Uruguai já vencia por 1 a 0.
Ainda assim, as oportunidades mais claras, em toda a partida, foram dos uruguaios. E, apesar de ter falhado no gol de Forlán, Dida evitou outros dois, com defesas importantes.
Que raio de jogo foi esse, então, em que a nossa seleção foi convincente, mostrou atitude, etc?
Ah, ia me esquecendo: jogando em casa, a seleção uruguaia (com outro técnico, mas basicamente com os mesmos jogadores) já perdeu, nestas eliminatórias, para Venezuela (0 x 3) e Peru (1 x 3)! E, fora, levou de cinco da Colômbia.
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Ronaldo Fenômeno conseguiu jogar menos em Montevidéu do que jogara em Goiânia! Se Luxemburgo não recolocá-lo em forma, no Real Madrid, vai ser difícil para Parreira mantê-lo como titular, apesar da disposição já demonstrada neste sentido.
Só espero que não se repita com Ronaldo, na Alemanha, o que se viu com Raí, nos EUA. Na ocasião, apesar das evidências de que o irmão de Sócrates fracassaria, Parreira só o barrou após o jogo de estréia.
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Ronaldinho Gaúcho, ao contrário, teve, na minha opinião, uma de suas melhores atuações, nos últimos tempos, na seleção.
Buscou o jogo, criou belos lances e se desperdiçou alguns deles por preciosismo, isso faz parte de seu futebol mágico.
Não é justo elogiar quando ele dribla e dá certo e criticar quando, eventualmente, dá errado. Ronaldinho é único exatamente por criar lances surpreendentes e espetaculares.
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No intervalo, Roberto Carlos saiu-se com essa:
— Vocês não queriam correria? Pois está aí!
Alto lá! Jogador que não quer ou (o que a cada dia parece ser mais o caso dele) não tem mais condições de correr 90 minutos não deveria nem ser convocado, quanto mais ser titular.
Aliás, a pergunta que não quer calar segue sem resposta: quando é que nossos vetustos laterais voltarão a freqüentar a linha de fundo? Razão tem o leitor André Carrera que os apelidou de “laterais isopor”, pois nunca vão ao fundo...
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Em tempo: sem jogadas de linha de fundo e com Ronaldo em péssima forma, sabe quando esse time vai fazer gol? No dia em que o Sargento Garcia pegar o Zorro — ou o Emerson marcar, impedido, o que é praticamente a mesma coisa...
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Em seu primeiro lance no jogo, acossando um zagueiro e o goleiro uruguaios e cavando um córner numa bola toda deles, Robinho mostrou o tamanho do erro de Parreira ao preteri-lo em prol de Ricardo Oliveira — que é um bom atacante mas jamais terá a genialidade do moleque do Santos.
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A entrada de Renato no lugar do previsível Zé Roberto também deixou evidente que o setor pode melhorar consideravelmente se Parreira ousar.
Aliás, já que Zé Roberto tem tanto prestígio com o técnico (e com Zagallo), por que não o experimentam na lateral-esquerda — sua posição de origem? Marcar ele sabe e fôlego tem.